O pomo está maduro – Independência ou Morte

  • dia 7 de setembro de 2020

O pomo está maduro – Independência ou Morte

Por Evandro Pontes

Cento e noventa e oito anos após o grito de independência, o Brasil está diante da Corte do STF

Naquela tarde amena de 7 de setembro de 1822, o prinícipe Pedro de Alcântara recebia, das mãos de mensageiro, um maço de correspondências: uma, vinda das Cortes de Portugal, outra, de seu fiel conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva e outra de sua fiel consorte, a Princesa Leopoldina.

Uma das maiores preocupações das Cortes portuguesas referia-se à “violenta e injuriosa linguagem usada pelo governo provisório de São Paulo” onde pediam que o Príncipe Pedro de Alcântara não atendesse às ordens de retornar a Portugal.

Andrada, seu conselheiro, anexou aos despachos das Cortes de Portugal uma carte que continha a seguinte advertência: “Senhor, as Cortes ordenaram a minha prisão por minha obediência à Vossa Alteza. E no seu ódio imenso de perseguição atingiram também aquele que preza em o servir com lealdade e a dedicação do mais fiel amigo e súdito”.

A Princesa Leopoldina, disparada a mais sábia dentre os nossos founding fathers, notou: “Pedro, o Brasil está como um vulcão. Até no Paço há revolucionários. Até oficiais das tropas são revolucionários”. Inteligentíssima e uma das maiores estrategistas políticas que já tivemos nestas terras, a princesa aduziu: “O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará a sua separação. O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrece”.

Pedro hesitou, ainda montado em seu cavalo. Aconselhou-se com gente que o acompanhava na comitiva, como o Padre Belchior Pontes, que o advertiu: “Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Nâo há outro caminho senão a independência e a separação”.

Atento aos conselhos, Pedro de Alcântara faz breve discurso: “Amigos, as Cortes portuguesas querem escravizar-nos e perseguem-nos. De hoje em diante, nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais. Laços fora, soldados! Vivam a Independência, a liberdade e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil. Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será Independência ou Morte!”.

E assim Pedro de Alcântara imortaliza do brocardo de Massada como mote para a inauguração da mais bela história de independência de uma nação.

Passados 198 anos, Bolsonaro está diante de Cortes.

Como as de Portugal, o STF reclama tão somente da “violenta e injuriosa linguagem” que alguns paulistas (junto de fluminenses, paranaenses, catarinas, nordestinos, goianos e outros) usam para pedir que Bolsonaro não se dobre a essas Cortes.

Como no caso de Andrada, o STF já pediu a prisão de vários apoiadores, para quem a perseguição física vem sendo justificada por meramente apoiarem um presidente.

Tal qual aconselhou a Princesa, hoje vemos “o Brasil como um vulcão”. E temos advertido que no Paço, em Brasília, há sim vários revolucionários infiltrados. E sim, até na tropa há gente desse tipo infiltrada, Presidente Bolsonaro.

Como disse o outro Pontes, o Padre, se V.Exa. não tomar seu lugar de fala como Chefe de Estado, até a prisão de V.Exa. venha algum dia pedir por motivos toscos quaisquer. E quem assegura a V.Exa. paz momentânea por amizade próxima a esses inimigos, eis ai o traidor, como diria Don Vito Corleone.

Como em 1822, o pomo hoje está maduro: reforma ministerial já, Reforma do Judiciário urgente pois isso, fatalmente, poderá conduzir o Brasil a um novo estágio de sua Independência – a independência em relação ao establishment, a independência em relação à velha política, o expurgo dos revolucionários do Foro de SP ainda estalados no Paço, enfim, para que não morra o Brasil, os ouvidos estão preparados para ouvir um novo brado de Independência ou Morte.

 

Fonte: Do Site Brasil sem Medo

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