Chororô em eventos da Igreja não é sinal de espiritualidade

  • dia 1 de junho de 2020

Chororô em eventos da Igreja não é sinal de espiritualidade

  1. Chororô em eventos da Igreja não é sinal de espiritualidade

Um dos sinais de que uma pessoa foi intimamente tocada por algo é o choro. Jesus chorou, pela morte de seu Lázaro e contemplando o futuro trevoso de Jerusalém. São Pedro chorou amargamente, por ter negado o Senhor três vezes. As santas mulheres choraram ao ver Jesus sofredor na Via Sacra.

Mas, como o diabo tem a capacidade de perverter e macaquear todas as coisas, ele tem usado e abusado do chororô para enganar muitos católicos.

O engodo funciona assim: pessoas de boa vontade vão à Igreja, buscando Deus. Chegando lá, em vez de receberem uma catequese sólida e edificante, são submetidas a pregações vazias, que incitam ao sentimentalismo exacerbado.

Os pregadores em questão conhecem bem as chaves que devem virar para mexer com a emoção das pessoas. Espertos, usam e abusam desses expedientes apelativos. A equipe da música toca os acordes tristes na hora certa, ajudando a criar o clima.

catarse ocorre, as pessoas se sentem aliviadas por extravasarem seus sentimentos… Mas PALAVRA DE VIDA ETERNA que é bom, nada!

Vaidoso e embriagado por seu poder de manipular os fiéis, o pregador pensa consigo mesmo: “Sucesso! Minha pregação foi ótima! Minhas palavras tocaram as pessoas tão profundamente que elas estão chorando!”.

Condicionadas a relacionar intimidade com Deus a choro, as pessoas ficam satisfeitas por terem conseguido chorar. Não aprenderam nada sobre a dimensão sobrenatural de sua existência, não aprenderam nada de relevante sobre a doutrina da Igreja, não foram levadas a meditar sobre as questões centrais do Evangelho… Mas estão convencidas, coitadas, de que acabaram de vivenciar uma forte experiência de fé.

E assim os fiéis vão sendo enrolados. Passam anos sem avançar na vida espiritual, caçando emoções baratas como bêbado atrás da cachaça.

 

Essa marmota não é novidade entre os católicos. Há quase 500 anos, Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja, já havia denunciado:

Notai também que uma compleição natural fraca costuma causar estas tristezas, especialmente em determinadas pessoas sensíveis, que choram por qualquer coisinha; mil vezes hão de achar que estão chorando por Deus, quando não é assim.

E assim pode acontecer quando lhes vem uma multidão de lágrimas, quero dizer, em certas ocasiões, em que a cada palavrinha que ouvem ou pensam a respeito de Deus não conseguem resistir a eles; algum humor pode lhes ter tocado o coração que ajuda ao choro mais do que o amor que se tem a Deus, e então parece que não vão mais acabar de chorar.

E, como já ouviram dizer que as lágrimas são boas, elas não as evitam, nem desejariam fazer outra coisa, e ajudam o choro o quanto podem. Assim o demônio pretende enfraquecê-las, de maneira que depois não consigam fazer orações nem manter sua Regra. (…)

Não pensemos que tudo consiste em chorar muito, e sim que ponhamos mãos à obra e façamos muito e pratiquemos as virtudes, que são o que realmente importa, e que as lágrimas venham quando Deus as enviar, não cabendo a nós nenhuma providência para as provocar. (As moradas do Castelo Interior, Sexta morada, capítulo VI).

 

Acréscimo do Padre Alexandre Melo

Realmente um grande perigo desse nosso tempo é se buscar viver numa fé sentimentalista, onde se vai na Igreja em busca de emoções fortes, arrepios, lágrimas e quando não fazem tal experiência as pessoas saem frustradas e acham que não encontraram Deus naquele lugar, naquela missa ou grupo de oração.  A fé verdadeira não vive de sentimentalismos ou emoções fortes, mas de uma certeza: Deus me ama e quer minha salvação;

É claro que não se pode deixar de desconsiderar totalmente os afetos na experiência de fé, pois pode haver momentos em que a Palavra de Deus ou uma experiência de oração pode falar tanto ao nosso coração e em vista de situações que estamos vivendo, que se torna inevitável as lágrimas.  Mas o grande risco é cair nos extremos de se buscar viver uma fé de sentimentos e emoções fortes.  O que a Igreja e os pregadores devem oferecer para os fiéis é a doutrina de Cristo, as verdades de fé necessárias para nossa Salvação.  A fé não pode se basear em sentimentos, pois eles passam e podem ser enganosos.  A fé deve se basear em Jesus, na sua Palavra e na sua verdade, capazes de nos levar à uma verdadeira conversão e luta contra o pecado.

Não cessam de surgir Igrejas, seitas e movimentos espirituais que exaltam e supervalorizam o sentimentalismo, mas que não oferecem uma base doutrinal sólida para que as pessoas amadureçam na fé e conheçam as verdades mais fundamentais para nossa Salvação. Uma pessoa bem formada na Palavra de Deus e na doutrina e que verdadeiramente teve um encontro pessoal com o Cristo, terá uma fé sólida, para além de sentimentos ou emoções e será capaz de continuar com o Cristo e na sua Igreja mesmo quando não estiverem sentindo nada em seus corações, mas tem suas vidas bem alicerçadas naquele que é nosso rochedo, o Cristo, nosso Senhor;

 

Fonte: Do Site “O Catequista”

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